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Guia · Múltiplos e alavancagem

EV/EBITDA e dívida líquida/EBITDA: o múltiplo que enxerga a dívida

O P/L ignora a dívida da empresa. O EV/EBITDA não — e é por isso que ele compara melhor negócios com estruturas de capital diferentes. Junto com a dívida líquida/EBITDA, é a dupla que responde "quanto vale" e "quão arriscada é a dívida".

EV — Enterprise Value

EV = valor de mercado + dívida líquida

O valor de mercado é o preço das ações. O Enterprise Value é o preço da empresa inteira — se você a comprasse, herdaria a dívida também. Somar a dívida líquida (dívida bruta − caixa) ao valor de mercado dá o preço real de aquisição.

EV/EBITDA

EV/EBITDA = Enterprise Value ÷ EBITDA

O EBITDA é o lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização — uma proxy da geração de caixa da operação. O EV/EBITDA diz por quantos anos de caixa operacional a empresa inteira é negociada. Como neutraliza a estrutura de capital, permite comparar uma empresa endividada com uma sem dívida — coisa que o P/L faz mal.

Dívida líquida/EBITDA — a régua da alavancagem

Dívida líquida ÷ EBITDA = quantos anos de caixa para zerar a dívida

Abaixo de 2 costuma ser confortável; acima de 3–3,5 acende o alerta (depende do setor e da previsibilidade do caixa). Negativo significa caixa líquido — a empresa tem mais caixa que dívida.

Exemplos reais da B3 (2024)

AçãoEV/EBITDADív. líq./EBITDALeitura
WEGE323,1−0,5caro, mas caixa líquido (sem dívida)
VALE34,30,9múltiplo baixo, alavancagem leve
LREN35,0−0,7razoável, caixa líquido
SUZB36,13,2múltiplo ok, mas dívida alta (setor de capital intensivo)

WEG negocia caríssima (EV/EBITDA 23) mas com caixa líquido — risco financeiro baixo. Suzano tem múltiplo modesto, mas 3,2× de dívida/EBITDA num setor cíclico é o que merece atenção. Múltiplo e alavancagem contam a história juntos.

Como o Dados B3 calcula (e quando NÃO publica)

Nosso EBITDA usa a depreciação e amortização real da DFC (demonstração de fluxo de caixa), não uma estimativa. Quando o arquivo não traz a DFC pelo método indireto, o EBITDA fica nulo com flag — preferimos a ausência honesta a um número inventado. E bancos e seguradoras não têm EV/EBITDA: não há EBITDA nem "dívida líquida" no sentido operacional — a dívida é o negócio.

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