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Guia · Múltiplos e alavancagem
EV/EBITDA e dívida líquida/EBITDA: o múltiplo que enxerga a dívida
O P/L ignora a dívida da empresa. O EV/EBITDA não — e é por isso que ele compara melhor negócios com estruturas de capital diferentes. Junto com a dívida líquida/EBITDA, é a dupla que responde "quanto vale" e "quão arriscada é a dívida".
EV — Enterprise Value
O valor de mercado é o preço das ações. O Enterprise Value é o preço da empresa inteira — se você a comprasse, herdaria a dívida também. Somar a dívida líquida (dívida bruta − caixa) ao valor de mercado dá o preço real de aquisição.
EV/EBITDA
O EBITDA é o lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização — uma proxy da geração de caixa da operação. O EV/EBITDA diz por quantos anos de caixa operacional a empresa inteira é negociada. Como neutraliza a estrutura de capital, permite comparar uma empresa endividada com uma sem dívida — coisa que o P/L faz mal.
Dívida líquida/EBITDA — a régua da alavancagem
Abaixo de 2 costuma ser confortável; acima de 3–3,5 acende o alerta (depende do setor e da previsibilidade do caixa). Negativo significa caixa líquido — a empresa tem mais caixa que dívida.
Exemplos reais da B3 (2024)
| Ação | EV/EBITDA | Dív. líq./EBITDA | Leitura |
|---|---|---|---|
| WEGE3 | 23,1 | −0,5 | caro, mas caixa líquido (sem dívida) |
| VALE3 | 4,3 | 0,9 | múltiplo baixo, alavancagem leve |
| LREN3 | 5,0 | −0,7 | razoável, caixa líquido |
| SUZB3 | 6,1 | 3,2 | múltiplo ok, mas dívida alta (setor de capital intensivo) |
WEG negocia caríssima (EV/EBITDA 23) mas com caixa líquido — risco financeiro baixo. Suzano tem múltiplo modesto, mas 3,2× de dívida/EBITDA num setor cíclico é o que merece atenção. Múltiplo e alavancagem contam a história juntos.
Como o Dados B3 calcula (e quando NÃO publica)
Nosso EBITDA usa a depreciação e amortização real da DFC (demonstração de fluxo de caixa), não uma estimativa. Quando o arquivo não traz a DFC pelo método indireto, o EBITDA fica nulo com flag — preferimos a ausência honesta a um número inventado. E bancos e seguradoras não têm EV/EBITDA: não há EBITDA nem "dívida líquida" no sentido operacional — a dívida é o negócio.
Limitações honestas
- EBITDA não é fluxo de caixa livre — ignora capex e capital de giro. Uma empresa capital-intensiva pode ter EBITDA bom e caixa fraco.
- Não se aplica a instituições financeiras.
- Não é recomendação de investimento.