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Guia · Análise fundamentalista

Piotroski F-Score: o que é e como usar nas ações da B3

O F-Score separa, entre as ações que parecem baratas, as que estão fundamentalmente melhorando das que só estão caindo. É uma das réguas mais citadas do mundo — e agora existe calculada e auditável para 400+ empresas da bolsa brasileira.

De onde vem

Em 2000, o professor Joseph Piotroski, da Universidade de Chicago, publicou um estudo que ficou clássico: entre ações de baixo preço em relação ao patrimônio (o "value" do mercado), como separar as joias das armadilhas? Ele propôs uma pontuação simples de 0 a 9, somando nove testes objetivos de saúde financeira. Carteiras montadas com as de nota alta bateram consistentemente as de nota baixa.

O ponto central, que quase todo mundo esquece: o F-Score mede melhora ano a ano, não qualidade absoluta. Uma empresa excelente num ano de desaceleração pode marcar 5; o número sobe quando a operação melhora em relação a si mesma.

Os 9 critérios (1 ponto cada)

Rentabilidade — 4 pontos

ROA positivo — deu lucro sobre o ativo?
Caixa operacional positivo — a operação gerou caixa?
ROA cresceu — a rentabilidade subiu ante o ano anterior?
Lucro lastreado em caixa — o caixa operacional supera o lucro contábil?

Alavancagem e liquidez — 3 pontos

Dívida de longo prazo caiu (sobre o ativo)
Liquidez corrente subiu — mais folga de caixa curto prazo
Sem diluição — não emitiu ações novas diluidoras

Eficiência — 2 pontos

Margem bruta subiu
Giro do ativo subiu — mais receita por real de ativo
Como ler a nota. Acima de 7: fundamento em clara melhora. Abaixo de 3: deterioração. Entre 4 e 6: o grosso do mercado, num ano comum. É sinal, não veredito — e nunca isolado do preço e do setor.

O F-Score da B3, com a conta aberta

Ferramentas de fora raramente cobrem a bolsa brasileira, e quando cobrem, entregam só o número final. No Dados B3 cada um dos 9 critérios vem separado e auditável — você vê exatamente quais passaram e por quê, com a conta CVM de origem. O score não é publicado para bancos e seguradoras (o plano de contas deles é outro), e quando falta um dado do ano, o critério não pontua e isso é declarado — nunca chutado.

Exemplos reais do exercício de 2024 (não é recomendação — é ilustração da régua):

AçãoEmpresaF-ScoreLeitura
MGLU3Magazine Luiza9 / 9recuperação em todas as frentes
TEND3Construtora Tenda8 / 9virada operacional
WEGE3WEG5 / 9ótima empresa, ano de desaceleração
PETR4Petrobras4 / 9ano fraco de preços de commodity

Empresa de altíssima qualidade (WEG) marcando 5 não é contradição: o F-Score mede a direção do fundamento naquele ano, não o quanto a empresa é boa. Penny stocks e empresas em recuperação judicial tipicamente aparecem em 0–1.

Como acessar

Direto pela API ou pelo conector de IA (MCP) — pergunte ao Claude ou ChatGPT "qual o Piotroski da Magazine Luiza?" e a resposta vem com os 9 critérios abertos. A empresa WEGE3 é gratuita para testar; as demais, com uma chave grátis (200 consultas/dia, sem cartão).

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