Dívida líquida / EBITDA
Fórmulas:
- Dívida bruta = 2.01.04 + 2.02.01 (empréstimos e financiamentos, circulante
e não circulante, incluindo debêntures e — desde 2019/IFRS 16 —
arrendamentos)
- Dívida líquida = Dívida bruta − Caixa (1.01.01) − Aplicações financeiras (1.01.02)
- EBITDA = EBIT (3.05) + D&A
- DL/EBITDA = Dívida líquida / EBITDA
De onde vem o D&A (a parte honesta)
Depreciação/amortização não tem conta fixa no plano padronizado da CVM.
Extraímos da DFC método indireto (bloco 6.01): somamos as linhas cuja
descrição contém "deprecia", "amortiza" ou "exaust", tomando só as linhas mais
profundas (pai e filho nunca contam duas vezes). As contas exatas usadas ficam
gravadas em fato.origem, empresa a empresa, ano a ano.
Amortização de custo de DÍVIDA fica fora (desde 30/08/2026). Linhas como "amortização do custo de captação", "custo de transação de empréstimos", "comissão sobre debêntures" ou "gastos com emissão de debêntures" contêm a palavra amortização e são despesa de financiamento, não depreciação de ativo. Somá-las ao EBITDA infla uma métrica operacional com item financeiro.
O achado veio de auditoria externa: um revisor conferiu a SUZB3 2023 contra
as demonstrações auditadas da companhia e notou que o nosso D&A incluía
6.01.01.11 Amortização do custo de transação, ágio e deságio (R$ 67 milhões,
+0,34% no EBITDA). Ele não declarou divergência — registrou a ressalva, porque
não podia abrir o arquivo da CVM para mostrar a conta. A partir daquele caso,
medimos a classe inteira: 279 empresa-anos, 226 EBITDAs inflados, 107
acima de 1% e 35 acima de 5%; o pior era a SERENA ENERGIA 2023, com +38,9%
(R$ 908 milhões num EBITDA de R$ 2,3 bilhões). A correção mudou 232 EBITDAs
e 223 DL/EBITDA.
O que continua entrando, e é metade da regra: amortização de mais-valia (ajuste a valor justo de combinação de negócios), de ágio, de intangível e de direito de uso. Todas são amortização de ATIVO e pertencem ao EBITDA por definição. A primeira versão da exclusão que escrevemos as teria removido em 89 linhas — corrigir demais é o mesmo defeito que corrigir de menos.
Isto é correção, não marcação. A regra da casa é marcar quando a fonte é ambígua; um rótulo que diz "custo de captação" não é ambíguo.
Travas declaradas (cada uma vira flag):
- Empresa sem DFC método indireto no ano → D&A nulo → EBITDA e DL/EBITDA nulos,
flag sem_da_na_dfc. Não estimamos.
- EBITDA ≤ 0 → DL/EBITDA não é publicado (flag ebitda_nao_positivo).
Limitação declarada: esse "EBITDA" é o contábil reconstituído (EBIT + D&A da DFC), não o "EBITDA ajustado" dos releases das companhias — que cada empresa define de um jeito e por isso não é comparável.
Fonte, tratamento e limitações gerais: ver fontes_e_padronizacao.md.