ETFs: como cada número é construído
Os ETFs listados na B3 são a terceira vertical do Dados B3, ao lado das companhias e dos FIIs. Nenhum número aqui é digitado à mão: cada um sai de uma fonte pública, com a data em que ficou público, e o que não existe em fonte pública não é publicado.
Fontes
| Dado | Fonte | Granularidade |
|---|---|---|
| Cadastro (nome, CNPJ, código CVM, situação, início, auditor, custodiante) | CVM, registro de fundos da Resolução 175, classe "Fundos FIIM" (fundo de índice de mercado) | fotografia |
| Ticker, gestor, escriturador, cotas emitidas | B3, consulta pública de fundos listados | fotografia |
| Cota patrimonial, captação, resgate, patrimônio líquido, total da carteira, cotistas | FNET, "Informe Diário" que o administrador entrega ao regulador e à bolsa | diária |
| Contas do mês (patrimônio, cotas em circulação, despesa de taxa de administração e de gestão) | FNET, "Balancete" mensal, plano de contas COFI | mensal |
| Carteira | CVM, Composição e Diversificação das Aplicações (CDA), arquivo dos fundos de índice | mensal |
| Preço de fechamento e volume | B3, COTAHIST, mercado à vista, lote padrão | diária |
O universo é a interseção: classe FIIM em funcionamento no registro da CVM, com sigla na lista da B3 e ticker que negociou no COTAHIST. Não há lista de tickers mantida à mão.
Ágio e deságio
ágio = fechamento ÷ cota patrimonial − 1, só no dia em que os dois existem. Nada é interpolado: se o administrador não entregou o informe daquele dia, não há linha. Acima de ±10% o número sai com a ressalva agio_extremo, que costuma significar cota velha ou papel que não negociou.
A cota de um dia fica pública na data em que o informe é entregue, normalmente no dia seguinte. A página mostra a data de entrega. O informe de um dia traz o mês inteiro até aquele dia, então o documento mais recente do mês sempre prevalece sobre um mais antigo.
Taxa efetiva
A taxa nominal do regulamento não existe como campo estruturado em nenhuma fonte pública que encontramos, nem na CVM nem na B3. O que existe é a despesa contabilizada: as contas de "despesas de taxa de administração do fundo" (que engloba a efetiva e a de gestão) no balancete mensal.
taxa efetiva anualizada = despesa do mês ÷ PL médio do mês × 12, onde o PL médio é a média dos patrimônios diários do informe.
As contas de resultado do plano COFI são acumuladas no exercício social. A despesa do mês é a diferença entre o saldo do mês e o do mês anterior; quando o saldo cai, é exercício novo e o saldo do mês é a própria despesa (ressalva exercicio_novo). Sem o mês anterior, o número é o acumulado e sai com a ressalva acumulado_sem_mes_anterior. Fora da faixa de 0% a 5% ao ano, taxa_fora_da_faixa. Nenhuma dessas ressalvas some.
Retornos
O retorno do fundo é a variação da cota patrimonial, que já inclui tudo o que a carteira recebe (dividendos das ações, juros dos títulos). É retorno total por construção. A linha "real" desconta o IPCA acumulado na janela, com os meses de ponta pro rata pelos dias.
O retorno pelo preço é o que o papel negociou, e ignora qualquer distribuição. A diferença entre as duas linhas é o ágio andando. Preço de ETF nunca é usado como proxy de retorno do fundo.
Carteira e sobreposição
Posições do fim do mês, peso sobre o patrimônio do mês. Compromissadas, caixa e valores a pagar ou a receber ficam fora da sobreposição. A sobreposição entre dois ETFs é a soma do menor peso de cada ativo em comum, no mesmo mês.
O índice replicado também não é campo declarado em fonte pública: é inferido do nome do fundo por regras simples e a página diz "pelo nome". Fundo cujo nome não permite inferir fica sem índice, não com um chute.
O que não está aqui
Distribuições de ETF (os poucos que pagam) ainda não entram; ficam para uma rodada seguinte. A diferença de acompanhamento contra o índice oficial da B3 também.