Investimento estrangeiro em carteira — ações
Quanto capital estrangeiro entrou e saiu de ações brasileiras a cada mês, em US$ milhões, desde janeiro de 1995. São 378 meses.
Antes do número: o que ele NÃO é
Este não é o "fluxo do estrangeiro na B3" que sai no noticiário.
Aquele número é o saldo de compra e venda do investidor não-residente no pregão, apurado pela B3 e divulgado diariamente. Este mede capital cruzando a fronteira com destino a ações, pelo registro cambial do balanço de pagamentos do Banco Central.
Os dois correlacionam e contam histórias parecidas, mas não são o mesmo número. Um estrangeiro que já tem reais no país pode comprar ações sem que entre um dólar novo; um fundo pode trazer dólares e demorar a alocar. Trocar um pelo outro é erro de leitura, não de precisão.
Por que não publicamos o da B3: ele não tem fonte pública estável e legível por máquina. Em 15/08/2026 testamos seis caminhos — a página oficial é uma aplicação em JavaScript que não devolve dado no HTML, a API de arquivos da B3 não expõe esse relatório, e os domínios alternativos respondem 403 ou 404. Raspar com navegador headless funcionaria e quebraria sem aviso a cada mudança de layout — o oposto do que este banco se propõe a ser. Preferimos publicar um dado que se sustenta e dizer com clareza qual é.
Por que fica numa seção separada
Todo indicador deste banco rastreia até uma conta da CVM e é recomputável — é o que a página de linhagem prova, número por número.
Este não é. É um agregado macroeconômico apurado pelo Banco Central a partir do registro de operações de câmbio: ninguém o reconstrói a partir de documento público. Você aceita o número do BCB ou não usa.
Isso não o torna menos verdadeiro — torna-o de outra natureza. Misturá-lo com os fundamentos enfraqueceria a promessa do resto, então ele mora em tabela própria, página própria e com este aviso.
Fonte e séries
Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS) do Banco Central, API pública em
JSON, sem chave. Os três códigos foram identificados pelo nome no catálogo
oficial de dados abertos (dadosabertos.bcb.gov.br), nunca por tentativa e
erro:
| código | série |
|---|---|
| 22928 | Investimentos em carteira · ações · passivos · mensal · ingresso |
| 22929 | Investimentos em carteira · ações · passivos · mensal · saída |
| 22927 | Investimentos em carteira · ações · passivos · mensal · líquido |
"Passivos" é a ótica correta: do ponto de vista do país, capital que entra é passivo externo. É o fluxo de fora para dentro — o que interessa aqui.
Guardamos as três séries de propósito
O líquido é o que se lê. Ingresso e saída são o que permite conferir: o BCB publica as três de forma independente, e a identidade
líquido = ingresso − saída
tem de fechar em todo mês. É a única contraprova possível num dado que não se recompõe da origem — e ela passa nos 378 meses, com zero divergências. Guardar só o líquido seria guardar um número sem como checá-lo.
Mês em que qualquer uma das três séries falte é descartado: sem as três não há contraprova.
Invariantes
| id | o que trava |
|---|---|
| I-X01 | líquido = ingresso − saída em todos os meses |
| I-X02 | ingresso e saída são fluxos brutos: nunca negativos (só o líquido pode ser) |
| I-X03 | a série não pula mês entre o primeiro e o último |
| I-X04 | competência sempre no formato AAAA-MM |
O I-X02 existe porque um erro de sinal na leitura passaria despercebido: o líquido continuaria plausível enquanto o bruto estaria invertido. O I-X03 repete uma lição cara — num gráfico de fluxo, um mês ausente vira uma linha reta que o leitor interpreta como "não houve movimento", que é exatamente o defeito que tirou o índice setorial do ar em 15/08/2026, em outro bloco do banco.
Como ler
A página mostra as duas leituras juntas, e isso é deliberado:
- A barra mensal mostra o que aconteceu no mês. É volátil: meses de saída aparecem no meio de anos de entrada e vice-versa. Barra isolada não é tese.
- A linha de 12 meses mostra o regime, que muda devagar e é o que costuma importar.
Quem olha só a barra confunde ruído com virada.
Uma observação que o número revela e a manchete esconde: o fluxo bruto é enorme e estável — o ingresso fica tipicamente entre US$ 12 e 19 bilhões por mês. O que muda de sinal é o saldo, que é a diferença entre dois números grandes e parecidos. Por isso o líquido oscila tanto: pequenas variações percentuais no bruto viram grandes variações relativas no saldo.
Em dólares, o que também significa que a variação cambial afeta a comparação entre períodos distantes.
É um mapa descritivo — "isto foi o que aconteceu" — e não uma regra de decisão. Fluxo que entrou não é sinal de compra.