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Metodologia aberta

Múltiplos (P/L, P/VP, EV/EBITDA)

Múltiplos (P/L, P/VP, EV/EBITDA)

O princípio que separa este banco da maioria das ferramentas de varejo

O preço usado para calcular um múltiplo nunca é o preço de fechamento do exercício (31/12 do ano). É o preço do primeiro pregão a partir da data em que a demonstração daquele ano ficou publicamente disponível — o campo DT_RECEB da própria capa do documento na CVM.

Por quê: uma DFP de exercício encerrado em 31/12 costuma ser publicada só em fevereiro ou março do ano seguinte. Usar o preço de 31/12 junto com o lucro daquele balanço é comparar uma cotação que o mercado tinha naquele dia com uma informação que o mercado ainda não tinha — vazamento de informação futura. Caso real medido neste banco: a DFP de 2025 da WEG (cd_cvm 5410, exercício encerrado 31/12/2025) só foi recebida pela CVM em 25/02/2026; o múltiplo de 2025 usa o preço de fechamento de 25/02/2026, não de 31/12/2025.

Fórmulas

  • Ações em circulação = total emitido (QT_ACAO_TOTAL_CAP_INTEGR) menos ações em tesouraria (QT_ACAO_TOTAL_TESOURO), da própria composição de capital que acompanha a DFP — nunca de fonte externa.
  • Market cap = preço ponto-no-tempo × ações em circulação.
  • P/L = Market cap / Lucro atribuído aos controladores (cai para o lucro consolidado com flag lucro_total_sem_minoritarios quando a companhia não reporta a abertura).
  • P/VP = Market cap / (PL total − participação de não controladores).
  • EV/EBITDA = (Market cap + Dívida líquida) / EBITDA — herda as mesmas travas do EBITDA (ver divida_liquida_ebitda.md): sem D&A na DFC, o múltiplo não é publicado.

Escolha do ticker

Uma empresa pode ter mais de uma classe de ação negociada (ON e PN). O ticker "principal" usado para preço e múltiplos vem do cadastro oficial da CVM (FCA — Formulário Cadastral, dataset valor_mobiliario), nunca de busca por nome: prioriza-se a classe Ordinária, ainda em negociação (sem data de fim), entre as listadas em Bolsa. Empresas sem classe elegível (ex.: só debêntures listadas, ou delistadas) ficam sem múltiplo — não é estimado.

Travas declaradas (cada uma vira flag)

  • Sem DT_RECEB ou sem pregão a partir dali: múltiplo não calculado, flag sem_data_publicacao / sem_preco_apos_publicacao.
  • Sem ações em circulação: sem_acoes_em_circulacao.
  • Lucro ≤ 0: P/L é publicado mesmo assim (número real, não escondido), com flag pl_negativo — P/L negativo não é comparável ao P/L de uma empresa lucrativa, mas é informação, não erro.
  • PL dos controladores ≤ 0: P/VP não é publicado (pl_nao_positivo) — dividir por patrimônio negativo não tem leitura econômica direta.
  • |P/L| > 200 ou |P/VP| > 50: publicado com flag pl_extremo / pvp_extremo — em 402 empresas isso é quase sempre lucro ou patrimônio minúsculo (empresa em recuperação, distressed pós-crise), não erro de conta.

Fonte e licitude

Preço: COTAHIST (B3), série histórica fim-de-dia — distribuição livre confirmada na política comercial da B3 (itens 7.9/7.10), sem custo e sem contrato. Ticker: FCA da CVM (ODbL). Nenhuma fonte de cotação em tempo real é usada ou redistribuída.

Múltiplos trimestrais (P/L TTM e P/VP)

Mesma disciplina ponto-no-tempo, ancorada no DT_RECEB da ITR de cada trimestre:

  • Lucro TTM (últimos 12 meses) por identidade, sem estimar o 4º trimestre: TTM no Qk = anual(ano−1) − [Q1..Qk de (ano−1)] + [Q1..Qk de (ano)]. Se qualquer pedaço falta (anual anterior ou um trimestre), o TTM fica NULO com flag (ttm_sem_anual_anterior / ttm_sem_trimestre_...) — nunca interpolado.
  • P/L TTM = Market cap na data do preço / Lucro TTM.
  • P/VP = Market cap / PL dos controladores do balanço do próprio trimestre (o balanço trimestral é foto, não fluxo).
  • Ações em circulação: snapshot mais recente da composicao_capital (DFP e ITR) até a data do preço — nunca snapshot futuro, e nunca a quantidade do ano anterior quando existe a do trimestre: desdobramento no meio do ano quebraria o market cap em silêncio. Snapshot mais velho que 200 dias em relação ao preço ganha flag acoes_defasadas.
  • EV/EBITDA trimestral NÃO existe neste banco, de propósito: a DFC da ITR vem só acumulada (medido no universo inteiro: D&A trimestral isolado existe em ~4.200 empresa-anos no Q1, mas só ~35 no Q2 e ~16 no Q3 — o Q1 existe porque isolado e acumulado coincidem). Sem D&A isolado não há EBITDA trimestral sem estimativa, e este banco não estima. EV/EBITDA fica anual.

Limitações declaradas

  • 402 empresas do universo, ~304 com ticker resolvido (as demais não têm classe elegível em Bolsa no cadastro mais recente da CVM — delistadas, só dívida, ou nunca negociaram ação).
  • O lucro TTM mistura lucro dos controladores com consolidado quando algum período só reporta o total — a flag lucro_total_sem_minoritarios acompanha o número quando isso acontece.