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Como analisar um FII: o checklist que cruza as métricas

Nenhum número decide sozinho se um fundo imobiliário vale a pena. A força não está em nenhuma métrica isolada — está em cruzar as poucas que importam. Este é o roteiro, com a conta aberta.

1. P/VP — uma pergunta, não uma resposta

P/VP = preço da cota ÷ valor patrimonial da cota

Abaixo de 1,0 parece desconto. Às vezes é, às vezes é o mercado precificando um problema que a avaliação patrimonial ainda não marcou. Um fundo em dificuldade pode sentar em P/VP 0,20 — caso de URPR11, ou de um fundo de tijolo com vacância alta — justamente porque o preço já leu o colapso enquanto o patrimônio no papel segue otimista. Então P/VP baixo abre uma pergunta: por quê? A resposta vem das outras métricas. Detalhamos o múltiplo em P/VP de FII.

2. Dividend yield (12m) — é caixa, não lucro

O DY mostra quanto o fundo distribuiu em dinheiro nos últimos doze meses sobre o preço da cota. É caixa que caiu na conta — não lucro contábil, e não promessa de que vai se repetir. Um DY muito alto num fundo de papel (CRI) costuma carregar risco de crédito ou de indexação (IPCA/CDI que sobem e depois cedem), não dinheiro de graça. Pergunte sempre se a distribuição é sustentável: veio de aluguel e juros recorrentes, ou de ganho de capital e reservas que não voltam mês que vem?

3. Vacância — o sinal de saúde do tijolo

Num fundo de tijolo, o aluguel é a renda, e vacância é a área vazia que não gera aluguel. Baixa e estável é bom; subindo, pressiona a distribuição. É a métrica mais mal reportada do mercado — o campo da CVM tem significado inconsistente entre administradores, e uma média ingênua chega a publicar "91% de vacância" num shopping lotado. Como lemos isso sem cair na armadilha está em Vacância em FII. Fundo de papel não tem vacância: é ausência honesta, não falha de dado.

4. Segmento — compare bicho com bicho

Logística, shoppings, lajes corporativas e papel são animais diferentes. Um DY de 12% é banal num fundo de CRI e excepcional num de shopping; uma vacância de 8% é confortável em galpão e preocupante em varejo. Compare cada fundo apenas com pares do mesmo segmento CVM. As medianas por segmento existem justamente para dar essa régua — um número só ganha sentido ao lado dos seus iguais.

5. Liquidez e número de cotistas

Um fundo que negocia pouco tem preço menos confiável — e, por tabela, um P/VP menos confiável, porque a cota pode estar "presa" num valor que ninguém testou de verdade. Poucos cotistas e volume baixo também significam que sair da posição pode custar caro. Antes de confiar em qualquer múltiplo, olhe se há mercado do outro lado.

Baixo P/VP + vacância alta + liquidez baixa = armadilha, não barganha. É o padrão clássico do fundo que parece "descontado" e está descontado por um motivo. Nenhuma dessas três métricas, sozinha, teria contado a história. Juntas, contam. Esse é o ponto inteiro da análise: o poder está no cruzamento.

O que sustenta tudo isso

Cada número aqui é ponto-no-tempo e auditável de volta à fonte — informe da CVM e pregão da B3 —, sem casar um preço de hoje com um patrimônio antigo. Onde os dados não fecham entre si, o número é sinalizado, não escondido. Você pode rastrear cada campo até a origem.

Dá para filtrar e ordenar todos esses critérios ao mesmo tempo — P/VP, DY, vacância, segmento, liquidez — na página dos FIIs.

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