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Como analisar empresas de commodities: a armadilha do lucro cíclico

Vale, Petrobras, Suzano, Gerdau — o lucro delas não é decidido só pela gestão, mas pelo preço da commodity: minério, petróleo, celulose, aço. Esse preço é cíclico e fora do controle da empresa. Ignorar o ciclo é o erro nº 1 de quem analisa esse setor.

Por que o P/L engana aqui

No topo do ciclo, o preço da commodity dispara, o lucro explode e o P/L fica baixíssimo — parece uma pechincha, justo quando o risco de reversão é maior. No fundo, o lucro some e o P/L fica altíssimo ou negativo — parece caro, justo quando pode estar barato. É o inverso da intuição.

Regra de ouro do setor: não compre commodity por P/L baixo no pico nem fuja por P/L alto no fundo. Olhe a rentabilidade ao longo de um ciclo inteiro, não de um ano.

O ciclo em um gráfico: ROIC da Vale

2019
0,7%
2020
24,7%
2021
59,9%
2022
34,6%
2023
19,7%
2024
18,7%
2025
6,6%

O ROIC da Vale foi de 0,7% (2019) a 59,9% (2021, pico do minério) e de volta a 6,6% (2025) — a mesma empresa, a mesma gestão. Quem viu 59,9% e projetou "empresa de retorno altíssimo" caiu na armadilha do topo. A média do ciclo diz muito mais que qualquer ano isolado.

O que realmente separa vencedores

Como o Dados B3 ajuda

Nossa força aqui é a série histórica de 16 anos: você vê o ROIC, a margem e a dívida ano a ano, o que expõe o ciclo em vez de escondê-lo num número só. E os múltiplos são ponto-no-tempo — o P/L de 2021 usa o preço de quando o balanço de 2021 saiu, sem contaminar o histórico.

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