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O informe da CVM por trás dos números de FII
Todo múltiplo de fundo imobiliário — P/VP, valor patrimonial, vacância — nasce em um documento público que quase nenhum agregador mostra: o informe que o fundo entrega à CVM. Entender esse documento é entender de onde vem o número, e por que ele pode (ou não) ser confiável.
O que é o informe mensal
Todo FII listado é obrigado, pela Instrução CVM 472, a entregar um informe mensal estruturado. Não é uma reportagem nem uma opinião do gestor: é um arquivo padronizado, com campos fixos, que vira dado público. Entre os campos que mais importam para quem analisa:
- Patrimônio líquido — quanto vale o fundo depois de descontadas as obrigações.
- Número de cotas — em quantas partes o patrimônio está dividido.
- Valor patrimonial da cota (VP/cota) — o patrimônio líquido dividido pelo número de cotas; é o "livro" do fundo.
- Número de cotistas — quantos investidores detêm o fundo.
- Segmento de atuação — lajes corporativas, logística, papel (CRI), shoppings, e assim por diante.
- ISIN — o código internacional que identifica a cota sem ambiguidade.
- Data_Entrega — a data em que o informe efetivamente se tornou público. É o campo mais subestimado, e o mais importante.
O informe trimestral e a vacância
O informe mensal dá o retrato agregado do fundo. O informe trimestral desce ao nível do imóvel: detalha, propriedade por propriedade, a vacância, a inadimplência e a área. É desse documento que sai a métrica de vacância — não de uma estimativa, mas do que o próprio fundo declarou por ativo. Quando você vê "vacância física de 12%", a origem é aqui.
Por que a Data_Entrega muda tudo
O informe descreve um mês de referência. Mas o mercado só sabe daqueles números no dia em que eles são entregues — e essa data quase sempre é dias ou semanas depois do fim do mês. Ignorar isso é o erro silencioso de quase todo agregador.
No Dados B3, o preço que casamos com o VP/cota de um fundo é o do primeiro pregão em ou depois da Data_Entrega — nunca o preço no fim do mês de referência, que o mercado ainda não poderia conhecer. Isso elimina o look-ahead: o múltiplo só usa informação que já era pública quando foi calculado. É a mesma disciplina de ponto-no-tempo que aplicamos às ações.
Por que isso torna o dado auditável
Nada disso é segredo. O informe bruto está em dados.cvm.gov.br: público, gratuito e estruturado. Qualquer pessoa pode baixar o arquivo e refazer a conta. O diferencial do Dados B3 não é ter um dado que ninguém tem — é o processamento disciplinado e de metodologia aberta da mesma fonte pública: pareamento ponto-no-tempo, e testes de invariante que travam o número quando o patrimônio dividido pelas cotas não bate com o VP/cota informado. Quando não fecha, sinalizamos em vez de esconder.
Do documento ao número que você lê
É útil ver o caminho inteiro: o fundo entrega o informe à CVM → o arquivo vira dado público com sua Data_Entrega → casamos o VP/cota com o preço do primeiro pregão a partir dessa data → o resultado passa pelos testes de invariante → vira o múltiplo que aparece na página do fundo. Detalhamos cada passo em /metodologia/fiis, e mostramos como ler o resultado em P/VP de FII e Como analisar um FII.
Limitações honestas
- O informe é tão bom quanto o que o fundo declarou; a avaliação dos imóveis é periódica e pode estar defasada.
- A Data_Entrega alinha o dado no tempo, mas não garante que a avaliação por trás do patrimônio esteja atualizada.
- Nada aqui é recomendação. O informe explica de onde vem o número — não diz se o fundo é um bom investimento.